sábado, 25 de junho de 2011

Cracolândia


Marco Pezão
Nas ruas do centro
São turbas de nus
Cachimbos em brasa

Farrapos da Luz


Lá no bairro

Da Santa Efigênia


À Cida Fumaça

Pessoas chapadas

Chupadas baratas
Rasgadas bandeiras

Lá no bairro

Da Santa Efigênia


Putas encenam
Caudilho de cruz
Porra só conta
No corpo de pus

Lá no bairro
Da Santa Efigênia


Pirata safado

Chips, ó play

Aurora Vitória
Timbiras Triunfo


Lá no bairro

Da Santa Efigênia


Ruínas em pedras

Jaz o passado

Almas e vícios

No Campos Elísios


Lá na Helvetia

E Santa Efigênia


O lixo do lixo

Não ponha na boca

Cachimbos em brasa

Farrapos de luz

Nas ruas do centro

São turbas de nus


Lá na Helvetia

E Santa Efigênia


Abre abre abre a cerveja

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Explica aí

de Marco Pezão

pros parceiros
Valmir Jordão e
Jaime Matos


Diz pra mim, Valmir


Cadeira tem costa e não se coça

Bule tem bico e não cisca


Xícara tem asa e não voa


Maçã do rosto não se colhe



Cebola tem cabeça e não pensa


Alho tem dente e não morde


Paletó tem manga e não chupa


Diga lá de quem é a culpa



Diz, diz pra mim


Quem roubou o cofre


Do banco do jardim



E o criado mudo falou


Não fui eu quem cortou


A piaçava da vassoura


Da doida varrida



Diz, diz pra mim


Quem roubou o cofre


Do banco do jardim



Cabeleira de milho


Canela de vidro


Cabide de rico


Cueca furada


Saco sem fundo



Caras de pau



Debaixo da saia Palocci


O Brasil é a fatura (fartura, falcatrua)



20 milhões no ano

Explica aí consultor


Huuu não sei de nada



Da planta do pé quero a flor


Perfume na palma da mão


Dos olhos de fogo, o brilho


Lágrimas de crocodilo



Diz, diz pra mim, diretor


Quem roubou o cofre


Do banco do jardim???



Explica aí, diretor

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sarau da Casa acolhe poetas em noite fria

Rosas na Casa, 11 de junho, noite, o frio paulistano. O poeta Fred apresenta o Sarau da Casa

e recebe dois convidados para um bate papo


Berimba de Jesus, Maloqueirista. Orfão de mãe abandonada. O aplique. Poeta, articulador cultural, publicou os livros Encarna (2009), Multívio (2010), além de diversos livretos de forma artesanal. Nesta data, o lançamento, a três jeitos: Varal de Poemas


Professor Carlos Felipe Moisés lecionou na USP e PUC. De extenso currículo, crítico literário, entre seus livros de poesia estão: Carta de Marear (1966), Poemas Reunidos (1974), Subsolo (1989), Lição de Casa & Poemas Anteriores (1998)




Participativa plateia esquentou a conversa


Cada qual, amantes de poesia, carrega seu mistério


Em ouvir e sermos ouvidos


Somos e somamos nós


No experimental louco acorde, acordemos: o som de Fábio Golfetti


Teresa Tavares de Miranda. Quem tem algo a dizer diz


RRR é Rubens Romero. O total de poetas inscritos


Somou quase 30. Laureate se apresenta


Outros aguardam sua vez. Renato Marx


Dar voz a poesia é a razão do encontro


Ivo Jacinto, pressinto a caminhada pra aqui chegar


Carlos Alberto. Os saraus quebram o gelo e florescem amizades


Paulista. Bailados de versos. Alexandre, alexandrinos


De Ferrettis vividos e vindos além da Mooca


Charles Gentil soltou o verso, quente


Donato Corneta, breve, fina amizade


Roseli Galuchi estreou no Sarau da Casa


num dueto, ao lado de Pedro Galuchi


Silmara, Mara tricolor, encanto de presença, com todo respeito Hugo


Crsitovam é Mavotisirc, em se prender e libertar...


Hugo Paz, mano, de correrias, eufórico quando o barato é a rima


Valeria Araújo, acompanhando os Maloqueiristas, e o livro Varal de Poemas, publicação que ajudou a parir


Debora e o cavalo de nuvens azuis


Néia Gesualdi e a dor do amor


Daniel, do Sarau do Burro, colando na fita


Prestigiando o amigo Kako Pontes, e o Berimba


O Cajado manda ver no improviso, a satisfação de chegar


Uma grata surpresa: Vivian Schesinger


Ricardo Matos e a Conspiração


Aline Binns também participa do livro Varal de Poemas, dos Maloqueiristas


O uruguaio poeta Pedro Granados veio conferir


José Macedo respesenta a melhor idade no melhor estilo: poetando


Kissinger Candido e a Morte do Boi


Mamãe Aline leva e a cria nos braços


Os músicos Fábio Golfetti e Fernando Cardoso fecharam a noite na Casa das Rosas


Enquanto, Berimba de Jesus, Valeria e Kako faziam contas acompanhados pela estimulante cachacinha. Entre lucros e perdas sobra alegria. Até o próximo Sarau da Casa, gente!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Maloqueiristas na Vila Fundão

Berimba, Maloqueirista...

Caco Pontes, Maloqueirista...

Juntos, estiveram no Sarau da Vila Fundão, quinta-feira, 02, promovendo o livro Varal de Poemas...

A esquerda, Fernando, apresentador do Sarau, aprecia os declamos...

Ali, na Fundão, Berimba e Caco Pontes iniciaram a caravana que passou no Sarau do Binho, na segunda-feira, 06,...

Quarta- feira, 08, consagrada poesia Cooperifa. Na sexta, 10, às 21h, segue ao Sarau da Cesta, do Laureate, na USP...

No sábado, 11, às 20h, o poeta Berimba será entrevistado no Sarau da Casa das Rosas, na Paulista, e vai falar sobre o lançamento de Varal de Poemas, que traz os versos escritos em português e espanhol...

O livro escrito a três mãos, além de Caco e Berimba, apresenta os versos de Aline Binns...

A seguir, recheando as legendas dos amantes de periférica arte, a crônica poética, "De jeito nenhum", de Berimba...

"Pra Bahia não volto. Nem pra passar férias. Não volto. Nunca mais.

Não sinto saudades nenhuma de andar três léguas puxando jegue,

de lata na cabeça pra apanhar água salobra pra beber, cozinhar e lavar.

Pra lá não volto, nunca mais.

Aqui, a água vem na torneira, alvinha, alvinha.

E por pior que seja viver nesse barraco,

com enchente, lixo e ratos,

pra ter água aqui,

bastou um gato.