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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Episódio 6

A natureza é como os homens:

Irresponsável.


Porque permitir ao céu

Bombear tamanha tromba d’água?


Com tal força jorrar

Serrana área do Rio...


Quisesse bem aos homens,

Que, por necessidade ou ganância,


Nas encostas dos morros,

Nas várzeas dos rios,


Fincaram os pés.

Pés, que, hoje,

Deitados e juntos,


Multiplicam centenas em covas desconhecidas.

Quisesse bem aos homens,

Não permitiria ao barro soterrar crianças,

Nem deslizar lágrimas na face querida.

Mas, a mãe natureza, é como os homens,

Não importa o tempo:

Sempre há de resistir o invasor.


Estou passado no sofá televisivo.

Depois da estranha ocasião,

Revoada de pensamentos insurgem.

A calcinha de rendas negras perfumadas,

Guardo sob o travesseiro.

O cem reais continua no criado mudo.

Pago meu cartão de crédito de forma honesta!

No vitrô da pia alongo meus olhos.

Faço suco.

Misturo vodka.

Em tua casa. Esta hora?

Com estará vestida?

Teu marido me incomoda!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Episódio 5

Desgastado. Amargo aviso prévio.

Não sabes. Não vou te contar. Nem tenho coragem.

Depois de todo glamour da empresa, meu empenho,

Os objetivos conquistados no derradeiro ano foram em vão.

São Paulo cria e desfaz sonhos num instante.

Entre cobertas, desempregado, quase

Adormecido, sofro tua ausência.

É madrugada e o fio gélido quente

Percorre minhas costas descobertas.

Tênue luz. Um vulto de seios macios

Sobre o meu peito escorre lânguido.

Bálsamo conhecido entorpece

Penetrante galope ao amanhecer incerto.

Acordo só.

A volúpia, como veio, partiu e deixou mostras no lençol.

No tapete, ao lado da cama, íntima peça esquecida ou deixada a propósito?

É praxe da noturna invasora domiciliar?

Cheiro o troféu perfumado e reflito:

A nota de cem reais sob o despertador, no criado mudo, é novidade.

E mistério. Aliás, o que te envolve é novidade e mistério.

Acaso pensa que sou teu prostituto?

Como entrou em casa, se não te dei a chave?

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Episódio 4

Longe estivemos

Eufórico exausto copo

Foco imagem alvenaria

Reboco tijolos pilhas

Andares

Cheiros iguais

Lajeados sob antenas

Gole farto

Enlevo envolto mar

Babei

Areia sal onda engoli

Rio de Janeiro

O morro. Não morro

Feliz voltar, São Paulo

Minha quebrada

Administradora de puteiro

Como terá sido à noite?

E às horas da manhã ensolarada

Chegou em casa de teu marido

Tomou banho e se despiu?

Nua. Meu lençol de suor aguado. Guardo

De fuzil armado aguardo.

Arde a pele. Anseio tua visita.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Episódio 3

Odeio. Odeio a mim mesmo.

Decorrente disto, eu vou te matar.

Ficas entre mulheres e homens!

Desejo carnal é o que impera!

E você administra? Cafetina?

Quarto tal, trepada tal.

Já passa das onze. Uma dose de uísque?

Teu vestido será aquele coladinho

Ao corpo, vermelho florido,

Que realça teu bumbum?

Me odeio! Quero te trucidar!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Episódio 2

A visita deve permanecer. O poeta pernambucano Miró.
Ele, no Sarau da Casa...

Acompanhei semana. Miró!
Mira saraus?
Binho, Buzão, Mário de Andrade e Casa das Rosas.
Ó ó ó, o poeta Miró em sampa faz escola.

- Administrar um inferninho não é solução!

Imagino madrugada. O sobradão.
Mulheres davidaaaaaa!
Você. Seu jeito. Detalhe de seios mostra:
Puta inveja do caralho!

Cícero, cordelista, acredita.
Do Itaim Paulista, na Casa Mário de Andrade, lêêêêê!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Episódio I

A cueca me dava conforto.

Foto de rosto, a voz, restante do corpo.

Sonsos olhos despertos no sofá, meus.

Buquê de braços estendidos, teus.

Esvai-se a visão. Confuso recado.

Perdura o rastro insistente...