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domingo, 7 de novembro de 2010

Falando de nós

Mapa, o mesmo. As trilhas são outros quinhentos. A porta de entrada serviu quem chegou.

Outubro das tardes recheadas de sábados. Versos em movimento. O livro ecológico.

A convivência estimula. A experiência motiva novos encontros.

Marcelino Freire, escritor, mestre dos microcontos. Soro e sonda. Oficina literária nevrálgica. Adjetivo e advérbio pesam. A arte de escrever é saber cortar...

Lúcia pinta e borda cores, valores da reciclagem. Do papel, papelão, gentes: projeto Dulcinéia Catadora.

Fincamos ponte: Augusto, Alisson, Binho, Fernando, Flávia, Pezão, Sônia, Priscila, Thânia, Shirley, Luciano, Lids, Capoeira, Isaur.

Agradecimento geral. Mapa da Poesia/Poiesis, por organizar.

Instituto Artemanha de Teatro, por nos receber.

Direto no Ponto, pra ler no buzão, é o nosso fruto.

Na segunda-feira, 01, fomos ao Sarau do Binho e lemos nossos microcontos.

O mestre Marcelino Freire mandou ver:
- Quanto custa seu programa?
- Uma boneca.

A poeta Lids homenageou o escritor e rasgou fundo:
Tá me ouvindo bem?

sábado, 23 de outubro de 2010

Sonia Santiago na oficina do mestre Marcelino

Sabadão, 23, de hoje há oito dias: eleição. Dos dois quem será que leva? Dilma ou Serra?

Na voz do povo, a voz de Deus. Tremenda rouquidão, senhor!

O escritor pernambacana Marcelino Freire viajou na semana passada pra terra natal. Está de volta e teremos às 14 horas a nossa derradeira aula de sua oficina.

Estarmos reunidos foi bom. Tomara outros encontros como esse aconteçam. Comungar a palavra.

Seguem os exercícios de Sonia Santiago, da 1ª aula.

Eu me lembro de um sofá...

Choveu a noite inteira
O dia amanheceu com uma cara feia
Seria assim o dia inteiro
As duas crianças sentadas no sofá
Um grande cobertor as cobria
Sentadinhos, enroladas, vendo tv
O seu desenho preferido
Comendo a sua pipoca

De repente viam uma perereca
Parecia um sapo cururu
Levantaram-se rápido
Começaram a correr
De um canto para o outro,
Não sabia se eram eles,
Ou a perereca que pulava mais.

Até que ela sumira, tudo voltou ao normal
Alguém lembrou que ela
Poderia estar embaixo do sofá
E o levantaram, e lá estava ela
Com o suso, soltaram o sofá,
Eu caiu em cima da pobre perereca
Eu parecia um sapo cururu
Pulava como pipoca
Morrera esmagada
Por um pé de sofá
Por causa de duas crianças medrosas

Exercícios de Microcontos

Quebrou seu pranto
Aliviou sua alma

Chorou de alegria
Gemeu a sua dor

O frio dói, dói
O corpo corroi

O sorriso amarelou
O poeta se foi
Fui, logo voltei
O pano rasguei

Lá fora te esperei
A lua encontrei

Manipulei seu medo
Nesse tédio me achei

Corri no seu cansaço
Abracei-me no seu lço

Achei-me na incerteza
A beleza de outrora

Feriu o rosto com o beijo
Tocou o mar com o seu olhar

Sem vergonha de chegar
Foi...

Abre a janela sem tramela
Seu olhar distante

Caminhando fugiu
Sua ironia surgiu

Ao chegar abriu a porta
O relógio parou

Jogou-se no sofá
Tocou a campainha

No quarto escuro te achei
Ao brilhar te perdi

Ao longe estou perto
Ao perto estou longe

Segurar sua mão
Tocar o violão

Aqui estou
Na ponta do pé

Sem vergonha ela se foi
Passo, ao acaso


Oficina de Criação Literária com o escritor Marcelino Freire

Apoio: Instituto Artemanha de Teatro


Estrada do Campo Limpo, 2706 - Campo Limpo


Organização: Projeto Mapa da Poesia/Poiesis


Fone: 3331-5549, com Cris, Lids ou Marco Pezão

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Augusto na oficina do mestre Marcelino

Augusto seja, Augusto. Mile ano de rodagem por nossa periferia. Tatuado no coração:Cooperifa.

Juntos, estamos curtindo duas oficinas neste mês de outubro, no Campo Limpo, aos sábados à tarde, no Instituto Artemanha de Teatro.

Mestres: Marcelino Freire e Lucia. Criação Literária e Livros Artesanais, do Projeto Dulcinéia Catadora.

Poeta bem comportado. Fez o dever de casa.
Amanhã, 23, tem Marcelino. Às 14 horas, quem chegar no horário ganha um pirulito.

Exercícios de Microcontos:

MICROPONTOS
(mó barato!)


TESÃO
...enfim; casou-se com aquela bunda.

NOTÍVAGO
vinha todo dia à meia noite.

POLITEÍSTA
'padre, fui eu que matei a galinha preta na sexta...'

ECODEFESA
'respeite minha natureza, machado.'

EX-FAMOSO
'ela não quer me ver nem na tv.'

NOVO EMPREGO
com um litro de pinga, sentou na calçada.
dali não saiu e nem quis mais nada.

LITÍGIO
perdida a causa, o advogado
bebeu tudo o que tinha direito.

LUTHER KING NA PADARIA
' eu quero um sonho.'

MUDERNAGEM AO TELEFONE
'e minha vóinha?'
'tá bem. tá com um bode novo...'

DESQUERIDO
veio de um buraco. da camisinha.

PERDIDO
a caminhada não deu em nada.
lá não estava a amada.

VIAGEM
foi ao rio pra ver o mar.

CASAS BAHIA
'vai pagar quando?'

UM MISERO PEDIDO
'quero dentes. depois o pão.'

COMÉRCIO VERDE
'vendo paisagens à vista'

METIDA
não dava pra ninguém

CORNO
'quer que eu saia, môzinho?'

UMA FERA
o controle sem pilha e o canal na novela.

OLHEIRO
da lagem ganhava a vadiagem.

PÉSSIMO DIA
quando acordou na sala,
tudo em volta ardia em chamas.

Oficina de Livros Artesanais, com a Lúcia, do Projeto Dulcinéia Catadora.

Exercício: eu me lembro de um cheiro

lembro do seu cheiro
e me sinto inteiro
encharcado de saudade

a boca enche de gosto
e volto pr´aquela tarde
(era julho ou agosto?)
em que te fui oito sentidos
e toda a nossa libido
desembocou num motel.
paredes cobertas de mel
e o forro da cama no chão.
a minha ereção
entrou em erupção
sobre você.
e ali mesmo do quarto
o período foi renovado.
na saída podemos ver
que o céu tinha mudado...

são essas lembranças que guardo
no salão nobre da minha mente:
o nosso querer fremente.
o seu cheiro de presente.
a saudade de uma mulher
e aquele céu-café
escuro e quente.

Oficina de Criação Literária com o escritor Marcelino Freire

Apoio: Instituto Artemanha de Teatro

Estrada do Campo Limpo, 2706 - Campo Limpo

Organização: Projeto Mapa da Poesia/Poiesis

Fone: 3331-5549, com Cris, Lids ou Marco Pezão

domingo, 17 de outubro de 2010

Binho na oficina do mestre Marcelino

Está indo pra lá de seis anos o Sarau do Binho. Onde a poesia, o debate, o arrojo de ideias e arte, no Campo Limpo fizeram morada.

Nossa amizade vem de antes. Lembro de quando o revi, pela primeira vez, depois de sua viagem à Europa. Faz tempo.

Montou uma lanchonete em frente ao Colégio Kennedy, cuja especialidade eram pasteis. Na década de 80, creio. Recheio sem miséria e atendimento. Logo ganhou público e destaque na quebrada.

Num sábado fui com a patroa em busca da iguaria e o encontro circulando entre a frequencia. Sempre inventivo. Enormes seios de borracha sobre o avental.

Tremenda humana figura, o poeta Binho.

Hoje, em outro local, ao lado da Uniban, a qualidade do pior pastel de São Paulo permanece. Melhorou. É onde às segundas-feiras acontece o recheado sarau.

E ele nos dá o prazer da companhia na oficina do mestre Marcelino Freire, nas tardes de sábado.

Seguem os exercícios que estão compondo nosso ecológico livro .

Poesia, o Binho, e a nossa companhia.

Exercício: Eu me lembro de uma língua

Uma língua me levantou, uma língua naativa, uma língua babosa, de movimentos incontroláveis, de um vai e sobe de um desce e vem , nessa tarde gostosa , Olhei para os lados, pro céu, ninguém se metendo, ainda, Ela muito à vontade na lambeção, eu todo mole e muito duro por debaixo dos panos, ela de quatro ,como de costume, com muito leite pra derramar,
Por algum motivo ela apartada dos seus. E a cerca entre nós, sim havia uma cerca entre nós, talvez mais de uma.


Exercício: Microcontos

colocou grade em tudo
trancou portas e janelas
só esqueceu de desligar a TV

CRIMINHO

o tiro pegou quase de raspão
se não fosse o quase
inda taría vivo


Oficina de Criação Literária com o escritor Marcelino Freire

Apoio:

Instituto Artemanha de Teatro

Estrada do Campo Limpo, 2706 - Campo Limpo


Organização:

Projeto Mapa da Poesia/Poiesis
Fone: 3331-5549

sábado, 16 de outubro de 2010

Marco Pezão na oficina do mestre Marcelino

Em nosso segundo encontro, sábado, 9, no Instituto Artemanha de Teatro, Campo Limpo, cada qual leu os exercícios propostos na aula anterior.

Ficou combinado que todos devem enviar seus trabalhos para serem publicados e arquivados aqui no blog, o que vai falicitar a hora de montar nosso livro ecológico.

Até agora, Priscila Preta, Flávia de Lima, além deste, cumpriram a conversa.

O mestre Marcelino Freire retorna no dia 23, sábado, das 14h às 18horas, e quem chegar no horário ganha um pirulito.

A lição de casa que devemos entregar diz respeito a uma relação de cinco coisas que costumamos esconder.

O exercício pode ser escrito em forma de microconto.

Hoje, sábado, das 14 às 18 horas, a poeta e pintora Lucia, do Projeto Dulcinéia Catadora, irá mostrar como fazer a capa do nosso livro ecológico.

Exercício da 1ª aula da oficina do escritor Marcelino Freire.

Eu me lembro de um adeus

Asilo. Exílio. Seis pessoas à minha frente. Longo corredor. Portas abertas, pessoas aguardam.

Estou eleição abandonada. Na vez de entrar na sala de aula. Fiscal ereto guarda passagem.

Policial chega na postura. Outro atrás. Intimida privilégio. Fica entre nós, no vão.

Não cedo.

Não vem de cedo o temor. A farda persiste em direção ao mesário.

Levo, na mão suada, a cola. Atmosfera.

Um peso!

Malgrado. Tento, dele, me desfazer.

Corcunda oriunda de abstrato peso.

Milhares de santinhos sem crédito são pisoteados nas ruas.

Crença umedecida e pegajosa adere meus pés. Hesito permanência.

O céu choreia deveres patrióticos. Sinistra marcha, minha.

Estou eleição abandonada. Prestes a levar um tiro.

Resoluto. Tiro, hoje, o cangaço!

Espectral escrutino tecnológico. Lógico.

Em riste, dedo!

Incômodo cômodo vazio. A cola em branco.

O meu dever. O meu dever é não dever nada a ninguém!

Luto. Exaspero. Nada mais espero.

Nego-me olhar a tela e confirmo luto.

Anulo-me, dói-me, e sorrio bons dias.

Aliviado! São!

Saio e deixo a urna.

À urna, à urna, à urna, o morto.

Adeus!

Exercício de microconto

TERMINAL DO CAMPO LIMPO

Cresce pra trás. Anda de lado a meio passo.



Marca distância à frente. Marche!

Engate de marcha.



Paciência, muita!!!



ÔNIBUS LOTADO

- O homem é gordo demais!
- Não passa na catraca!
- Tem que descer pela porta da frente!

- Agora enfezou! Nem pra baixo nem pra riba!


AGLOMERAÇÃO DE CURIOSOS

- Sai de cima que o defunto vai ficar sem ar!


PASSAGEIRO SESSENTÃO

No ônibus, quando uma mulher cruzava as pernas e
os joelhos ficavam à mostra...

Oh, joelhos!

AMADA NEGRITUDE

Mulher da cor das asas da graúna

vivência nos uma

em vôo maior

REPARTIÇÃO PÚBLICA

Sepulcro fundo funcionários rasos.


Oficina de Criação Literária com o escritor Marcelino Freire

Apoio:

Instituto Artemanha de Teatro
Estrada do Campo Limpo, 2706 - Campo Limpo

Organização:

Projeto Mapa da Poesia/Poiesis
Fone: 3331-5549

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Flávia de Lima na oficina do mestre Marcelino.

Estarmos juntos durante algumas horas significa muito. Nos conhecemos. E nem tanto.

A oficina do escritor Marcelino Freire trouxe inicial finalidade.

Raros e bons momentos.

Atriz, minha amiga, Flávia de Lima.

É dela os exercícios que estão compondo o nosso artesanal livro.


Micro contos

SEM TÍTULO
- Eu e você sempre!
- Mas sempre não é muito tempo?
*************************

PEDI PRA UM
- Preciso de paz!
- Não vende no supermercado?
*************************

PEDI PRA OUTRO
- Preciso de paz!
- Vou ver se tenho na carteira pra te emprestar, mas acho difícil.
*************************

SEM TÍTULO
Pior só chiclete
Quando gruda no cabelo.
*************************

REPARE
O monstro desse lago
Sou eu
*************************

CACETE
Se ao menos soubesse rezar


SEM TÍTULO
O gato cagão desapareceu
Há quem sofra por isso
************************

JOSÉ
Vire-se
Não faço mais essa porra
************************

BONÉ
Tudo seria diferente
Se tivesse visto sua cabeça
************************

SEM TÍTULO
Não sei se o mundo da lua é muito longe
Mas fui pra lá de vez
**************************

PORTEIRO
Depois dá uma olhada na criança
Pulo da varanda as 16h30


Resulto do exercício tema "Eu me lembro de um espelho"

CARA DE SANTO
Era lá que o Antônio ficava.
De frente para o espelho.
Olhando sua cara cor de prata, que na real era de lata. Por anos, anos e anos.
Foi colocado lá pela Dona Marinalva, segundo ela, ficaria ali de costa para o mundo e de frente para o espelho, até que sua filha, essa que vos escreve, na época só uma criancinha curiosa, tivesse um bom casamento.
Mãe deseja cada coisa!
Os anos foram passando, a criança foi crescendo, e o Antônio ali, de frente para o espelho. Engordurado, empoeirado e possivelmente revoltado, pois não deu ajudinha nenhuma, forcinha nenhuma, casamento nenhum.
Ao menos o santo não se vingou, vingança de santo deve ser implacável.
O Antônio ainda mora lá em casa. Não mais de frente para o espelho, e sim no guarda-roupa, com as bijuterias, perfumes e bugigangas.
E quando a porta se abre ele vê o mundo de frente.
E acompanhado do bebezinho simpático, faz cara de santo, que é o que ele faz de melhor.
A Dona Marinalva não assume, mas certamente se decepcionou com o Antônio. É que passou a ser devota de outro Santo, o que carrega a Palma e a Cruz.
Ele vive num quadro, pendurado na parede no quarto.
Ao menos está de frente para a janela.

Flávia de Lima, em cena de Paixão de Cristo, Taboão da Serra, com o ator e diretor Mario Pazini.


Oficina de Criação Literária do escritor Marcelino Freire

Instituto Artemanha de Teatro

Estrada do Campo Limpo, 2006.

Organização: Mapa da Poesia/Poiesis

Fone: 3331-5549

Priscila Preta na oficina do mestre Marcelino

Colega das tardes de sábado, da oficina de Criação Literária do escritor Marcelino Freire.

Que acontece no Insituto Artemanha de Arte, na estrada do Campo Limpo, 2706.

Conforme combinado, todos os participantes devem enviar os exercícios examinados na aula para serem arquivados e publicados aqui no blog.

A Priscila Preta chegou junto.


Micro conto

AVÍCOLA
Se você vai só me comer
Não precisa fingir que sou seu bichinho de estimação

Exercício "Eu me lembro de uma dor"

PIETÁ
Mãe me buscou na escola
Subia a ladeira de felicidade
Ia brincar
No nosso encontro Douglas
De palavras poucas
Olhar carinhoso
Atendia os clientes da boca
Sorriu, abraçou e subiu

Passei pelo portão
Escutei o barulho
Corri logo pro muro

Mãe olhou pro final

Eu olhei pro começo
Da rua vinha Olga
Sua mãe

Na cabeça de Douglas a luz atravessava
Jorrava a vida perdida na morte
Olga nome de santa e sagrada
Esculpiu com a pele da verdade
Pieta
Em branco e preto e vermelho
De um espinho sem fim
Me lembro da dor de um olhar cego
De uma mãe sem ventre
Enfim
Um grito mudo


O mestre Marcelino viajou pra terra natal e neste sábado, 16, teremos o início da oficina Dulcinéia Catadora, com a Lúcia, onde começaremos a montar nosso livro com papelão e papel reciclável.

Um pirulito pra quem chegar no horário. Aceita-se alunos novos. Também ganham pirulitos...


Oficina de Criação Literária do escritor Marcelino Freire

Instituto Artemanha de Teatro

Estrada do Campo Limpo, 2006.

Organização: Mapa da Poesia/Poiesis

Fone: 3331-5549

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Oficina do escritor Marcelino Freire é arte, manha.

Entre nós, o considerado escritor Marcelino Freire.

Curtição. Como se a conversa fosse ao pé de ouvido. Ideia. Muita ideia.


Marcelino Freire começou sua oficina de Criação Literária, no Instituto Artemanha de Teatro, no Campo Limpo, sábado, 2.


Os próximos encontros acontecem nos sábados 9 e 23, das 14 ás 18 horas.

Quem quiser participar ainda dá tempo.

O endereço é Estrada do Campo Limpo, 2706: lidsramos.poesia@poiesis.org.br

Estivemos em doze pessoas saboreando a palavra. E a forma como foi dita estimula criação. Os mistérios da palavra. Caminhos, toques, e armadilhas.

Significativo também é estar ao lado de poetas e artistas da periferia, num momento diferente daquele em que normalmente nos encontramos. É sempre num sarau, na correria.

Esse contato é bom. Nos aproxima. E o que é melhor. Vamos estar num livro construído por nós. Fruto da nossa produção literária.

A oficina do projeto Dulcinéia Catadora acontece nos dias 16 e 30/10, também das 14h às 18 horas, e a Lúcia, pintora, poeta, vai estar dialogando importâncias e editando conosco os escritos.

Cada qual vai ter o seu livro. Igual e diferente um do outro!

E o Marcelino sugeriu que o mote para o livro tivesse conotação geral.

Bilhetes Únicos (Direto ao ponto) é o tema.

Bilhetes Únicos no que se refere à circulação dos ônibus. Seu leva e traz de todo dia. Mas, também, na forma concisa de expressão (Direto ao ponto).

O outro exercício de casa estimula lembranças individuais. A partir da frase escolhida cada qual cria seu texto. Foi proposto:

Eu me lembro de um espelho
Eu me lembro de uma covardia
Eu me lembro de uma distância
Eu me lembro de um rio
Eu me lembro de um velório
Eu me lembro de um beijo
Eu me lembro de um olhar
Eu me lembro de um cheiro
Eu me lembro de um motel
Eu me lembro de um ET
Eu me lembro de um planeta
Eu me lembro de uma luz
Eu me lembro de um não
Eu me lembro de uma língua

Escolha uma das lembranças e senta o dedo no teclado. Os dois exercícios serão apresentados sábado (9). Por favor, levem cópias dos trabalhos.

Maior gesto. O pernambacana Marcelino se dispôs a ler e comentar outros textos e poesias dos participantes.

Os microcontos também foram tema da aula. Até sete palavras pra contar a história. É ali na essência. Haxixe. A imaginação vai longe.

Seguem os microcontos apresentados:

QUANDO ACORDOU,
O DINOSSAURO AINDA ESTAVA LÁ. (Augusto Moterroso)

SEM TÍTULO
Vende-se: sapatos de bebê,
nunca usados. (Ernest Hemingway)

SEM TÍTULO
Caiu da escada
e foi parar no andar de cima. (Adrienne Myrtes)

ARRUDA
- Se for o capeta,
diz que eu tô no banho. (Andréa Del Fuego)

SEM TÍTULO
- Diz que me ama.
- Aí é mais caro. (Beto Villa)

SEM TÍTULO
Uma vida inteira pela frente.

O tiro veio por trás. (Cíntia Moscovich)

SEM TÍTULO
- Lá no caixão...
- Sim, paizinho.
- ... não deixe essa aí me beijar. (Dalton Trevisan)

CONFISSÃO
- Fui me confessar ao mar.
- E o que ele disse?
- Nada. (Lygia Fagundes Telles)

OLFATO
Se é índio ou mendigo,
Só queimando para saber. (Luciana Penna)

UTI
- Quem mandou você puxar o fio?
- ... o vovô. (Felipe Valério)

ELVIS NÃO MORREU
- Então, me vê dez gramas. (Samir Mesquita)

SEM TÍTULO
De mim ninguém mais ri.
Esse, pelo menos, não. (Max Aub)

MAS


é limpinha. (Francisco Alvim)

Vou-me suicidar
e já volto. (Paulo Leminski)

STOP

A vida parou
Ou foi o automóvel? (Carlos Drummond de Andrade)

Podia ser muito feliz
se não fosse infeliz.

*

Ah quem me dera um vestido
que me queimasse. (Adília Lopes)

estou começando a perder
o medo que tenho das pessoas

já pego na mão
da minha namorada (Nicolas Behr)

O cágado.
*
A rua ruim de novo.
*
- Ladrão, vem cá. (Alguns inícios de contos de João Antonio, do livro “Abraçado ao meu rancor”).

Maior satisfação estarmos juntos...


Organização
Mapa da Poesia/Poiesis

Apoio
Instituto Artemanha de Teatro

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Oficina de Criação Literária com Marcelino Freire e Livros Artesanais, no Espaço Artemanha

O escritor Marcelino Freire e as poetas do Sarau da Ademar...

As inscrições estão abertas para a Oficina de Criação Literária com o premiado autor Marcelino Freire, no Espaço Artemanha de Teatro, na Estrada do Campo Limpo nº 2706, subsolo, bairro de Campo Limpo, S/P.

As atividades acontecerão no mês de outubro, nos dias 02, 09 e 23, sábados, das 14 às 18 horas.

Marcelino Freire nasceu em 1967, em Sertânia, PE. Vive em São Paulo desde 1991. É um dos principais nomes (e divulgadores) da nova geração de escritores brasileiros, designada “Geração 90”.

Escreveu, entre outros, “Contos Negreiros” (Prêmio Jabuti 2006) e “RASIF - Mar que Arrebenta”, ambos publicados pela Editora Record.

Vários de seus contos foram adaptados para teatro e traduzidos para outros países. Em 2004, idealizou e organizou a antologia “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século” (Ateliê Editorial).

É o criador da Balada Literária, evento que, desde 2006, reúne anualmente quase uma centena de escritores, nacionais e internacionais, no bairro paulistano de Vila Madalena.

Mantém o blog eraOdito (http://www.eraodito.blogspot.com/), apontado em recente pesquisa da revista “Bula”, como um dos 20 blogs mais influentes da rede.

Transformando os textos produzidos em livro

Paralelamente, nos dias 16 e 30 de outubro, sábados, das 14h às 18 horas, no Espaço Artemanha, o Projeto Dulcinéia Catadora estará desenvolvendo a Oficina de Produção de Livros Artesanais.

Os textos criados durante a Oficina do Marcelino Freire irão compor o livro feito de material reciclável, produzidos pelos próprios alunos.

A Oficina de pintura de capas de papelão e confecção de livros tem como público alvo, jovens ou adultos. Não é necessário ter experiência com desenho ou pintura.

A atividade tem como objetivos mostrar uma forma original e acessível de produção independente, que possibilita a divulgação de trabalhos de escritores iniciantes.

Valorizar o papel do catador como reciclador, cuja contribuição é fundamental para o meio ambiente;

Proporcionar uma experiência de reutilização e transformação de um material muitas vezes descartado;

Desenvolver o potencial artístico e criativo através da livre expressão.

Inscrições grátis e número de vagas

São 30 vagas disponíveis e as inscrições devem ser feitas previamente com a Lids Ramos, via e-mail: lidsramos.poesia@poiesis.org.br

O telefone para contato é 3331- 5549, com Lids, Cris ou Marco Pezão.

As Oficinas são gratuitas e fazem parte do Projeto Mapa da Poesia, da Poiesis - Organização Social de Cultura – e conta com o apoio do Espaço Artemanha de Teatro.

Endereço: Estrada do Campo Limpo nº 2706, subsolo, bairro de Campo Limpo, S/P. Telefone: 5844 – 4146


Cena de espetáculo, no Espaço Artemanha de Teatro