Viajem no tempo! Europa, África
Velho Continente, berço da civilização...
E o que nos toca na memória?
É! O mundo tem sido confusão.
Desde os séculos antigos, ainda,
Bem antes de Cristo...
Até o pipocar de nossos dias,
A guerra e a exploração têm sido constantes
Entre os povos e nações reinantes...
Dominação! Revolução! Evolução!
Política Social Econômica!
Industrial Medicinal Sexual!
“Crescei e multiplicai-vos...”
Diz a lei seguida fielmente.
Os homens se espalharam pelo globo
Dotados do poder da invenção...
Donos de um apetite voraz...
Cria, come e consome bicho homem.
Mais come e consome do que cria!
A nossa tecnologia,
Graças à inteligência humana
Nos permite ver, rever e antever
Situações passadas e vindouras.
São as bombas pacíficas...
É o gás, a nuvem, o cogumelo radioativo.
E o efeito estufa, estufa, estufa!
Bunnndas! Bunnndas! Bunnndas!
Viram vírus, vírus, vírus...
Todos falam em paz
Mas só guerra semeiam
E depois de muito papo
Fogo na terra ateiam!
O homem Senhor, se diz senhor do mundo
E põe em risco toda a criação.
Ao lado das glórias perseguem as trevas...
Por Allah, Deus, nossos deuses...
A quem apelar? Se o humano ser
Em sua desvairada aventura...
Perdeu a consciência
E o nosso timoneiro maior abandona a nave
E se oculta no universo?
Senhores do poder!
Desviem os olhos da morena na praia
E olhem os morros do Rio!
E aí vejam o retrato do Brasil!
Eterna torre de Babel...
Vozes ecoam pelo planeta...
Preconceitos, egoísmos, ambições...
Vietnã, Kosovo, Líbano, Palestina,
Timor...te, Afeganistão, Iraque, Carandiruuuuú...
Africanos, asiáticos, europeus, americanos, brasileiros...
É humanidade o que a vida pede...
É Humanidade, a vida responde!
Humanidade! Prendem nossos filhos!
Humanidade! Matam nossos filhos!
Humanidade! Queimam nossas florestas!
Humanidade! Poluem nosso ar, mares e rios!
Tudo em nome do nosso consumo!
Tudo em nome de nós, Humanidade!
Humanidade, escuta teu eco!
Das entranhas dos oceanos,
Rumo ao espaço sideral ...
Terceiro milênio...
Tudo leva tua marca, teu domínio!
Nas mãos da raça, a eternidade do sistema!
Humanidade, silencia teu eco.
Tua alma satisfaça teu ego.
A Mãe Natureza é quem por socorro clama!
Humanidade, tenha humanidade, Humanidade!
Humanidade, tenha humanidade, Humanidade!
Mesmo que seja por piedade, ó Humanidade!
Ah, como lamento saber as coisas que sei
Lamento ver as coisas que vejo...
sexta-feira, 4 de março de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Dente por dente
Na padaria no Largo do Taboão, um homem fala pro copa:
- Furaram os olhos dele. Antes de matar, furaram os olhos dele.
O relato tem a ver com o bárbaro crime acontecido no dia 18 de fevereiro, no Jd Record. O caso foi amplamente divulgado pela imprensa local.
Domingo sorridente. Vindos do Jd Salete, o pai leva família pra casa do amigo onde se festeja aniversário.
Despreocupados, adultos conversam. Fazem churrasco. Tomam cerveja.
Bolo, guaraná, balas de coco. As crianças brincam na rua.
Ninguém imagina que o mau as espreita. Ele, o perverso, está ali parado, observando...
Homem de trinta anos, que, segundo a matéria publicada, sobrevivera a uma emboscada, ano antes, quando levara oito tiros no Capão Redondo.
Estranho destino. É possível falar em destino?
Tratado e recuperado pela saúde pública, fugiu.
E veio aqui se instalar de favor num cômodo deixado por parentes.
Tem, da porta, atenção voltada pra menina de quatro anos.
A serpente se apresenta e atrai sua vítima. A pequena na malha cai.
Açougueiro de profissão, hábil no corte e manejo de facas.
Do anjo não se ouviu o rufar de asas. Nem grito ou gemido sequer.
Dada a falta sentida, a procura. A família vasculha casas e ruas.
O assassino é interpelado. Dissimula.Trêmulo andou e sumiu.
A polícia é chamada. A desconfiança indica direção. A porta é arrombada.
Busca-se vida! No entanto, sob a tampa do balde de plástico, jaz o corpo dobrado.
Facadas, ao menos três, e a espinha dorsal quebrada.
O policial, acostumado à violência, sentiu o drama:
- Cena horrível. Ela estava com os joelhinhos encostados na testa.
Qual ponto de apoio oferece compreensão ao desolado pai, diante de tal circunstância?
- Ai, o que foi feito da minha filhinha?
A voz exprime dor. Aflora revolta.
A multidão enfurecida queimou pertences e deitou tijolos pra que não haja ali mais pousada.
A morte mostra faceta cruel. Não quis em seu abrigo a demência. Deixou-a livre para subtrair do viver a inocência.
A polícia informada armou campana no lugar indicado.
Capturado com revólver de numeração raspada, o atroz confessou o crime.
Não deu motivo ou explicação pro estrupo.
Diz-se possuído pelo capeta. Alterado pelo consumo de crack.
Dirigi-me ao caixa e ainda ouvia o cidadão:
- Não durou nem dois dias na cela. Na cadeia tem bandido. Bandido tem filhos. Furaram os dois olhos dele. Antes de matar furaram os olhos dele...
Ao sorver o último gole de café, aquele senhor olhou pro teto, respirou fundo, e concluiu:
- A justiça do dente por dente está aplicada.
- Furaram os olhos dele. Antes de matar, furaram os olhos dele.
O relato tem a ver com o bárbaro crime acontecido no dia 18 de fevereiro, no Jd Record. O caso foi amplamente divulgado pela imprensa local.
Domingo sorridente. Vindos do Jd Salete, o pai leva família pra casa do amigo onde se festeja aniversário.
Despreocupados, adultos conversam. Fazem churrasco. Tomam cerveja.
Bolo, guaraná, balas de coco. As crianças brincam na rua.
Ninguém imagina que o mau as espreita. Ele, o perverso, está ali parado, observando...
Homem de trinta anos, que, segundo a matéria publicada, sobrevivera a uma emboscada, ano antes, quando levara oito tiros no Capão Redondo.
Estranho destino. É possível falar em destino?
Tratado e recuperado pela saúde pública, fugiu.
E veio aqui se instalar de favor num cômodo deixado por parentes.
Tem, da porta, atenção voltada pra menina de quatro anos.
A serpente se apresenta e atrai sua vítima. A pequena na malha cai.
Açougueiro de profissão, hábil no corte e manejo de facas.
Do anjo não se ouviu o rufar de asas. Nem grito ou gemido sequer.
Dada a falta sentida, a procura. A família vasculha casas e ruas.
O assassino é interpelado. Dissimula.Trêmulo andou e sumiu.
A polícia é chamada. A desconfiança indica direção. A porta é arrombada.
Busca-se vida! No entanto, sob a tampa do balde de plástico, jaz o corpo dobrado.
Facadas, ao menos três, e a espinha dorsal quebrada.
O policial, acostumado à violência, sentiu o drama:
- Cena horrível. Ela estava com os joelhinhos encostados na testa.
Qual ponto de apoio oferece compreensão ao desolado pai, diante de tal circunstância?
- Ai, o que foi feito da minha filhinha?
A voz exprime dor. Aflora revolta.
A multidão enfurecida queimou pertences e deitou tijolos pra que não haja ali mais pousada.
A morte mostra faceta cruel. Não quis em seu abrigo a demência. Deixou-a livre para subtrair do viver a inocência.
A polícia informada armou campana no lugar indicado.
Capturado com revólver de numeração raspada, o atroz confessou o crime.
Não deu motivo ou explicação pro estrupo.
Diz-se possuído pelo capeta. Alterado pelo consumo de crack.
Dirigi-me ao caixa e ainda ouvia o cidadão:
- Não durou nem dois dias na cela. Na cadeia tem bandido. Bandido tem filhos. Furaram os dois olhos dele. Antes de matar furaram os olhos dele...
Ao sorver o último gole de café, aquele senhor olhou pro teto, respirou fundo, e concluiu:
- A justiça do dente por dente está aplicada.
Marco Pezão
sábado, 29 de janeiro de 2011
Levaram o Varejeira no bico
Chegou praticamente recém nascido à casa do aposentado oficial.
Para alimentá-lo, o veterano quebrava a casca do grão de girassol e servia a semente no bico do pequeno papagaio.
Tenente reformado, Adolfo trabalhou muitos anos na ROTA, a temida Rondas Ostensivas Tobias Aguiar, que marcou época durante a ditadura militar.
Mesmo a vivência sob duro regime, de certas e constantes arbitrariedades, difícil imaginar esse senhor cometendo alguma.
Nem a obscuridade do rígido sistema foi capaz de moldar nele resquício de maldade, tal é sua forma de ser.
O relacionamento com a vizinhança. O apego com o filho e neto. De riso fácil. É emérito brincalhão em qualquer roda que chega.
Até a desconfiança peculiar à farda da justiça abrigou-se em desuso feito o coturno envelhecido.
A aposentadoria lhe trouxe convivência despreocupada. Não ganha muito, pelo contrário.
Mas a comedida soma mensal o permitiu saborear incontáveis cervejas diárias; acompanhadas do inseparável quebra gelo.
Hábito que abandonara faz algum tempo.
Nos bares goza de amizades várias. E quase sempre promove o temperado churrasco pra passar o tempo em meio ao carteado.
Àqueles que não colaboram e ficam próximos à churrasqueira afim de algum naco, taxa-lhes o apelido de varejeira, ou seja, mosca da carne.
E o sarro pelo vulgo foi tanto que o papagaio já com dois anos de criação, falante ao extremo, reproduzia claramente a indagação.
Ao tratá-lo e mimá-lo com carinho, carregando-o no ombro ou na mão, ouviam o penacho dizer:
- E aí, Varejeira?
Aconteceu na tarde chuvosa de inverno. Apareceu na rua um rapaz e perguntou a dois garotos da redondeza: se por ali alguém tinha um papagaio?
Informado, seguiu à porta do oficial e relatou a história:
Que num momento de distração, o seu papagaio, ainda arredio, voou, fugindo. E estava na árvore de um terreno baldio próximo dali.
Querendo capturá-lo, precisava do auxílio de outro para atrair sua atenção.
O prestativo homem crê na conversa e em socorro leva o sonoro: E aí, Varejeira?
Lá chegando, em vista do mato crescido e a insistente garoa, Adolfo ficou à distância.
Enquanto isso, o jovem simulou encenação. Sob a copa, em posse da gaiola, gritou:
- Ele voou pro outro lado da rua.
Ágil, entre os arbustos, disfarçou. Correndo ganhou sumiço dobrando a primeira esquina, carregando o papagaio do tenente.
Passado um ano desse infortunado episódio, conversamos em frente ao local do crime. Ele relembra ainda inconformado:
- Como é que pode? Tantos anos caçando bandidos. Conhecendo malandro de tudo que é jeito.
Um pirralho. No bico doce enganou a mim e levou meu papagaio.
Fica o apelo. Se o caríssimo leitor, ao andar pelas cercanias de Taboão da Serra, ouvir de um loureiro a especial tagarelice, comunique-se com este cronista.
Não há gratificação, mas o nosso amigo tenente próximo de completar 70 anos agradece.
Embora que a objetividade não esteja mais aguçada, o samaritano não perdeu o humor.
E nem mudou o comportamento apesar do jocoso chamamento que desde então, ao invés de Adolfo, passou a ser sua alcunha:
- E aí, Varejeira?
Para alimentá-lo, o veterano quebrava a casca do grão de girassol e servia a semente no bico do pequeno papagaio.
Tenente reformado, Adolfo trabalhou muitos anos na ROTA, a temida Rondas Ostensivas Tobias Aguiar, que marcou época durante a ditadura militar.
Mesmo a vivência sob duro regime, de certas e constantes arbitrariedades, difícil imaginar esse senhor cometendo alguma.
Nem a obscuridade do rígido sistema foi capaz de moldar nele resquício de maldade, tal é sua forma de ser.
O relacionamento com a vizinhança. O apego com o filho e neto. De riso fácil. É emérito brincalhão em qualquer roda que chega.
Até a desconfiança peculiar à farda da justiça abrigou-se em desuso feito o coturno envelhecido.
A aposentadoria lhe trouxe convivência despreocupada. Não ganha muito, pelo contrário.
Mas a comedida soma mensal o permitiu saborear incontáveis cervejas diárias; acompanhadas do inseparável quebra gelo.
Hábito que abandonara faz algum tempo.
Nos bares goza de amizades várias. E quase sempre promove o temperado churrasco pra passar o tempo em meio ao carteado.
Àqueles que não colaboram e ficam próximos à churrasqueira afim de algum naco, taxa-lhes o apelido de varejeira, ou seja, mosca da carne.
E o sarro pelo vulgo foi tanto que o papagaio já com dois anos de criação, falante ao extremo, reproduzia claramente a indagação.
Ao tratá-lo e mimá-lo com carinho, carregando-o no ombro ou na mão, ouviam o penacho dizer:
- E aí, Varejeira?
Aconteceu na tarde chuvosa de inverno. Apareceu na rua um rapaz e perguntou a dois garotos da redondeza: se por ali alguém tinha um papagaio?
Informado, seguiu à porta do oficial e relatou a história:
Que num momento de distração, o seu papagaio, ainda arredio, voou, fugindo. E estava na árvore de um terreno baldio próximo dali.
Querendo capturá-lo, precisava do auxílio de outro para atrair sua atenção.
O prestativo homem crê na conversa e em socorro leva o sonoro: E aí, Varejeira?
Lá chegando, em vista do mato crescido e a insistente garoa, Adolfo ficou à distância.
Enquanto isso, o jovem simulou encenação. Sob a copa, em posse da gaiola, gritou:
- Ele voou pro outro lado da rua.
Ágil, entre os arbustos, disfarçou. Correndo ganhou sumiço dobrando a primeira esquina, carregando o papagaio do tenente.
Passado um ano desse infortunado episódio, conversamos em frente ao local do crime. Ele relembra ainda inconformado:
- Como é que pode? Tantos anos caçando bandidos. Conhecendo malandro de tudo que é jeito.
Um pirralho. No bico doce enganou a mim e levou meu papagaio.
Fica o apelo. Se o caríssimo leitor, ao andar pelas cercanias de Taboão da Serra, ouvir de um loureiro a especial tagarelice, comunique-se com este cronista.
Não há gratificação, mas o nosso amigo tenente próximo de completar 70 anos agradece.
Embora que a objetividade não esteja mais aguçada, o samaritano não perdeu o humor.
E nem mudou o comportamento apesar do jocoso chamamento que desde então, ao invés de Adolfo, passou a ser sua alcunha:
- E aí, Varejeira?
Marco Pezão
Marcadores:
Crônicas,
Levaram o Varejeira no bico
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Passageiro da garoa
Nada é igual nunca!
Aprendeu diária lição. Paulistana cidade.
Da Francisca Miquelina, Bela Vista,
Teve que chegar à rua Direita.
Primeiro contato sozinho,
Inicial emprego aos 16 anos.
Da rua Maria Paula, a confusão começou
Entre os viadutos Brigadeiro e Dona Paulina.
Entrou por um, resolveu que era outro;
Abaixo, o vale coberto por natural vegetação.
Favela do Vergueiro. Futura avenida 23 de maio.
Olfato visão ansiosa.
Aprendiz de ofício: mecânico de máquinas de escrever.
Gasolina ar lubrifica sonhos altivos. Rua Riachuelo atravessou.
Largo São Francisco! Procurou se informar.
Percebeu estátua nua. Desembocou na São Bento.
Estendido o olhar, comércio de lojas a perder de vista.
Multidão de cabeças ligeiras. Dobra José Bonifácio.
Quadra abaixo turbulência de carros. Libero Badaró.
Caminhou calçada clamor de buzinas.
Farol à esquerda!
Permeia bondes trilhos...
Loja. Fachada. Relógio.
Os ponteiros admiráveis marcam onze horas.
Mappim explodindo gente.
Anhangabaú. Praça da Bandeira e 9 de Julho avista!
Povo descendo escada de um lado saindo do outro:
Xavier de Toledo. Que diabo!
Tunelzinho abaixo do chão.
Surgem vitrines. Explosão de pessoas, cores e artigos.
Cadê a rua Direita?
Teatro Municipal...
Barão de Itapetininga...
Praça Ramos de Avezedo...
Conselheiro Crispiniano?
Cadê a rua Direita?
- Fica ali. À direita. Atravessando o Viaduto do Chá.
Viaduto do Chá? Porque chá e não café?
Praça do Patriarca. Escada rolante.
O mirante erguido sobre o banco Moreira Salles.
Que frio na barriga, elevador. 20º andar!
Perplexos olhos colados ao vitrô
Invadem estranha paisagem.
Do escritório, saiu voando pra vida
Com a primeira carteira de trabalho, assinada.
II
Há muito avanças além dos rios que te cercam.
Bairros, vilas, comunidades se multiplicam
Ao sopro das chaminés. A que ponto e a que preço?
Metrópole dos meus anseios?
Invadida. Mulher conquistada e não querida,
Já não ouves a súplica dos desempregados.
Desgarrados da brasileira nação,
Em teu solo buscam mudanças!
Paulicéia mundo. Paulicéia mundo.
Concreto espelha rica
Fria Paulista avenida...
Rosa dos ventos lança despejos!
Alagados sem desejos.
Paulicéia mundo. Paulicéia mundo.
Habitante telhado em meia água,
Que, apreensivo, aprecia, atrás das lentes, sisudo horizonte
E o noticiário na tv...
- Sampa!
Concreto. Asfalto. Pouca terra!
Não mais aquela garoa.
Ele adorava tomar banho de chuva!
Não acredito que o Gabriel morreu afogado na rua da Mooca!
Aprendeu diária lição. Paulistana cidade.
Da Francisca Miquelina, Bela Vista,
Teve que chegar à rua Direita.
Primeiro contato sozinho,
Inicial emprego aos 16 anos.
Da rua Maria Paula, a confusão começou
Entre os viadutos Brigadeiro e Dona Paulina.
Entrou por um, resolveu que era outro;
Abaixo, o vale coberto por natural vegetação.
Favela do Vergueiro. Futura avenida 23 de maio.
Olfato visão ansiosa.
Aprendiz de ofício: mecânico de máquinas de escrever.
Gasolina ar lubrifica sonhos altivos. Rua Riachuelo atravessou.
Largo São Francisco! Procurou se informar.
Percebeu estátua nua. Desembocou na São Bento.
Estendido o olhar, comércio de lojas a perder de vista.
Multidão de cabeças ligeiras. Dobra José Bonifácio.
Quadra abaixo turbulência de carros. Libero Badaró.
Caminhou calçada clamor de buzinas.
Farol à esquerda!
Permeia bondes trilhos...
Loja. Fachada. Relógio.
Os ponteiros admiráveis marcam onze horas.
Mappim explodindo gente.
Anhangabaú. Praça da Bandeira e 9 de Julho avista!
Povo descendo escada de um lado saindo do outro:
Xavier de Toledo. Que diabo!
Tunelzinho abaixo do chão.
Surgem vitrines. Explosão de pessoas, cores e artigos.
Cadê a rua Direita?
Teatro Municipal...
Barão de Itapetininga...
Praça Ramos de Avezedo...
Conselheiro Crispiniano?
Cadê a rua Direita?
- Fica ali. À direita. Atravessando o Viaduto do Chá.
Viaduto do Chá? Porque chá e não café?
Praça do Patriarca. Escada rolante.
O mirante erguido sobre o banco Moreira Salles.
Que frio na barriga, elevador. 20º andar!
Perplexos olhos colados ao vitrô
Invadem estranha paisagem.
Do escritório, saiu voando pra vida
Com a primeira carteira de trabalho, assinada.
II
Há muito avanças além dos rios que te cercam.
Bairros, vilas, comunidades se multiplicam
Ao sopro das chaminés. A que ponto e a que preço?
Metrópole dos meus anseios?
Invadida. Mulher conquistada e não querida,
Já não ouves a súplica dos desempregados.
Desgarrados da brasileira nação,
Em teu solo buscam mudanças!
Paulicéia mundo. Paulicéia mundo.
Concreto espelha rica
Fria Paulista avenida...
Rosa dos ventos lança despejos!
Alagados sem desejos.
Paulicéia mundo. Paulicéia mundo.
Habitante telhado em meia água,
Que, apreensivo, aprecia, atrás das lentes, sisudo horizonte
E o noticiário na tv...
- Sampa!
Concreto. Asfalto. Pouca terra!
Não mais aquela garoa.
Ele adorava tomar banho de chuva!
Não acredito que o Gabriel morreu afogado na rua da Mooca!
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Episódio 6
A natureza é como os homens:
Irresponsável.
Porque permitir ao céu
Bombear tamanha tromba d’água?
Com tal força jorrar
Serrana área do Rio...
Quisesse bem aos homens,
Que, por necessidade ou ganância,
Nas encostas dos morros,
Nas várzeas dos rios,
Fincaram os pés.
Pés, que, hoje,
Deitados e juntos,
Multiplicam centenas em covas desconhecidas.
Quisesse bem aos homens,
Não permitiria ao barro soterrar crianças,
Nem deslizar lágrimas na face querida.
Mas, a mãe natureza, é como os homens,
Não importa o tempo:
Sempre há de resistir o invasor.
Estou passado no sofá televisivo.
Depois da estranha ocasião,
Revoada de pensamentos insurgem.
A calcinha de rendas negras perfumadas,
Guardo sob o travesseiro.
O cem reais continua no criado mudo.
Pago meu cartão de crédito de forma honesta!
No vitrô da pia alongo meus olhos.
Faço suco.
Misturo vodka.
Em tua casa. Esta hora?
Com estará vestida?
Teu marido me incomoda!
Irresponsável.
Porque permitir ao céu
Bombear tamanha tromba d’água?
Com tal força jorrar
Serrana área do Rio...
Quisesse bem aos homens,
Que, por necessidade ou ganância,
Nas encostas dos morros,
Nas várzeas dos rios,
Fincaram os pés.
Pés, que, hoje,
Deitados e juntos,
Multiplicam centenas em covas desconhecidas.
Quisesse bem aos homens,
Não permitiria ao barro soterrar crianças,
Nem deslizar lágrimas na face querida.
Mas, a mãe natureza, é como os homens,
Não importa o tempo:
Sempre há de resistir o invasor.
Estou passado no sofá televisivo.
Depois da estranha ocasião,
Revoada de pensamentos insurgem.
A calcinha de rendas negras perfumadas,
Guardo sob o travesseiro.
O cem reais continua no criado mudo.
Pago meu cartão de crédito de forma honesta!
No vitrô da pia alongo meus olhos.
Faço suco.
Misturo vodka.
Em tua casa. Esta hora?
Com estará vestida?
Teu marido me incomoda!
sábado, 15 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Ilusória fúria de um algoz
Bola rolando...
O placar contrário deixa torcida do Tubarão furiosa com atuação do trio de arbitragem.
O Sem Saída vai vencendo por 1 a 0.
Juiz de futebol na várzea requer astúcia. Por melhor que conduza a partida haverá senão.
Neste campo de terra batida, o Tubarão nada. Os torcedores pedem pro time morder. Querem garra. Querem festejar o gol que não acontece.
Enquanto isso, no boteco do Ebrinho, encostado no balcão, um cara conhecido por Quarenta, de estatura mediana e forte, pede maria-mole.
O apelido Quarenta vem da chapa que usa no trabalho. Numa empresa de transporte coletivo.
Num gole, Quarenta sorve o líquido e reclama:
- Porcaria de time!
Nem precisou pedir outra. Meio Quilo já preparava:
- Saindo mais uma mm.
Nisso, ouve-se o coro dos torcedores anunciar a mãe do árbitro.
- Sacanagem! Vou te dizer. Se alguém xingar minha mãezinha? Pode ser o homem do tamanho que for. Eu derrubo.
Numa golada deixou o copo vazio. Quarenta circula o campo. Aos berros incentiva:
- Vai Tubarão! Mostra que tu é macho!
Se alguém esbraveja materna exclamação contra arbitragem, recrimina:
- Ô meu amigo! Tá certo que o diabo do juiz é safado; mas não bota a mãe no meio!
Um ataque pela direita. A bola é lançada e o jogador avança livre em direção ao gol. É grande a chance do empate!
Inconformismo da torcida do Tubarão. A bandeira é levantada. O apito acusa impedimento.
Bastou. Foi a gota. A grade balançou. Quase duzentas vozes numa só:
- Ladrão f da p.
Não se sabe como ele conseguiu passar. Pequena brecha do alambrado transpôs cabeça. O resto do corpo foi junto. Ensandecido!
Partiu em direção ao árbitro, que tratou de fugir. O Quarenta correndo atrás. Com a mão direita na cintura segurava um volume sob a camisa.
A impressão é de uma arma. Alguns jogadores se lançaram a persegui-los. A maioria pensou em proteção.
O corre-corre deu duas voltas no campo. Os bandeirinhas sumiram. O árbitro chegou exausto à porta do vestiário fechado.
Sentou desconsolado no degrau. Tremeu zombaria das pessoas aglomeradas no portão de entrada:
- Vai morrer! Vai morrer!
Caiu em pranto. Protegendo o rosto aguardou a fúria do seu algoz.
A maneira como Quarenta chegou. A postura da mão posicionada é de quem vai sacar o revólver...
- Pelo amor de Deus!
Bradou angustiada alma.
Naquele tenso momento toca campainha de um celular.
Quarenta levanta a camisa...
É agora!
Que alívio!
Era o telefone que ele protegia para não cair.
- Alô, mãe! Tô no campo. Mas, assim, já? É que... Tá bom, mãe. Tá bom, eu vou. Eu vou... Oche!
Olhares ansiosos acompanham o sufoco do indefeso juiz. Quarenta apontou o dedo e falou:
- Eu não vou te fazer mal. Vá pra casa e peça perdão à sua mãe por você ser causa da difamação dela. E nunca mais apareça aqui para apitar um jogo do Tubarão.
Dito isso, foi saindo entre fracos aplausos, gritos, falas, e muitas vaias...
- Tanta correria pra nada? Nem sangue, nem porrada?
Decepcionada torcida, então, pro Quarenta, entoou:
- F da p, f da p, f da p...
O placar contrário deixa torcida do Tubarão furiosa com atuação do trio de arbitragem.
O Sem Saída vai vencendo por 1 a 0.
Juiz de futebol na várzea requer astúcia. Por melhor que conduza a partida haverá senão.
Neste campo de terra batida, o Tubarão nada. Os torcedores pedem pro time morder. Querem garra. Querem festejar o gol que não acontece.
Enquanto isso, no boteco do Ebrinho, encostado no balcão, um cara conhecido por Quarenta, de estatura mediana e forte, pede maria-mole.
O apelido Quarenta vem da chapa que usa no trabalho. Numa empresa de transporte coletivo.
Num gole, Quarenta sorve o líquido e reclama:
- Porcaria de time!
Nem precisou pedir outra. Meio Quilo já preparava:
- Saindo mais uma mm.
Nisso, ouve-se o coro dos torcedores anunciar a mãe do árbitro.
- Sacanagem! Vou te dizer. Se alguém xingar minha mãezinha? Pode ser o homem do tamanho que for. Eu derrubo.
Numa golada deixou o copo vazio. Quarenta circula o campo. Aos berros incentiva:
- Vai Tubarão! Mostra que tu é macho!
Se alguém esbraveja materna exclamação contra arbitragem, recrimina:
- Ô meu amigo! Tá certo que o diabo do juiz é safado; mas não bota a mãe no meio!
Um ataque pela direita. A bola é lançada e o jogador avança livre em direção ao gol. É grande a chance do empate!
Inconformismo da torcida do Tubarão. A bandeira é levantada. O apito acusa impedimento.
Bastou. Foi a gota. A grade balançou. Quase duzentas vozes numa só:
- Ladrão f da p.
Não se sabe como ele conseguiu passar. Pequena brecha do alambrado transpôs cabeça. O resto do corpo foi junto. Ensandecido!
Partiu em direção ao árbitro, que tratou de fugir. O Quarenta correndo atrás. Com a mão direita na cintura segurava um volume sob a camisa.
A impressão é de uma arma. Alguns jogadores se lançaram a persegui-los. A maioria pensou em proteção.
O corre-corre deu duas voltas no campo. Os bandeirinhas sumiram. O árbitro chegou exausto à porta do vestiário fechado.
Sentou desconsolado no degrau. Tremeu zombaria das pessoas aglomeradas no portão de entrada:
- Vai morrer! Vai morrer!
Caiu em pranto. Protegendo o rosto aguardou a fúria do seu algoz.
A maneira como Quarenta chegou. A postura da mão posicionada é de quem vai sacar o revólver...
- Pelo amor de Deus!
Bradou angustiada alma.
Naquele tenso momento toca campainha de um celular.
Quarenta levanta a camisa...
É agora!
Que alívio!
Era o telefone que ele protegia para não cair.
- Alô, mãe! Tô no campo. Mas, assim, já? É que... Tá bom, mãe. Tá bom, eu vou. Eu vou... Oche!
Olhares ansiosos acompanham o sufoco do indefeso juiz. Quarenta apontou o dedo e falou:
- Eu não vou te fazer mal. Vá pra casa e peça perdão à sua mãe por você ser causa da difamação dela. E nunca mais apareça aqui para apitar um jogo do Tubarão.
Dito isso, foi saindo entre fracos aplausos, gritos, falas, e muitas vaias...
- Tanta correria pra nada? Nem sangue, nem porrada?
Decepcionada torcida, então, pro Quarenta, entoou:
- F da p, f da p, f da p...
Marcadores:
Crônicas,
Ilusória fúria de um algoz
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Episódio 5
Desgastado. Amargo aviso prévio.
Não sabes. Não vou te contar. Nem tenho coragem.
Depois de todo glamour da empresa, meu empenho,
Os objetivos conquistados no derradeiro ano foram em vão.
São Paulo cria e desfaz sonhos num instante.
Entre cobertas, desempregado, quase
Adormecido, sofro tua ausência.
É madrugada e o fio gélido quente
Percorre minhas costas descobertas.
Tênue luz. Um vulto de seios macios
Sobre o meu peito escorre lânguido.
Bálsamo conhecido entorpece
Penetrante galope ao amanhecer incerto.
Acordo só.
A volúpia, como veio, partiu e deixou mostras no lençol.
No tapete, ao lado da cama, íntima peça esquecida ou deixada a propósito?
É praxe da noturna invasora domiciliar?
Cheiro o troféu perfumado e reflito:
A nota de cem reais sob o despertador, no criado mudo, é novidade.
E mistério. Aliás, o que te envolve é novidade e mistério.
Acaso pensa que sou teu prostituto?
Como entrou em casa, se não te dei a chave?
Não sabes. Não vou te contar. Nem tenho coragem.
Depois de todo glamour da empresa, meu empenho,
Os objetivos conquistados no derradeiro ano foram em vão.
São Paulo cria e desfaz sonhos num instante.
Entre cobertas, desempregado, quase
Adormecido, sofro tua ausência.
É madrugada e o fio gélido quente
Percorre minhas costas descobertas.
Tênue luz. Um vulto de seios macios
Sobre o meu peito escorre lânguido.
Bálsamo conhecido entorpece
Penetrante galope ao amanhecer incerto.
Acordo só.
A volúpia, como veio, partiu e deixou mostras no lençol.
No tapete, ao lado da cama, íntima peça esquecida ou deixada a propósito?
É praxe da noturna invasora domiciliar?
Cheiro o troféu perfumado e reflito:
A nota de cem reais sob o despertador, no criado mudo, é novidade.
E mistério. Aliás, o que te envolve é novidade e mistério.
Acaso pensa que sou teu prostituto?
Como entrou em casa, se não te dei a chave?
domingo, 9 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Naná ninguém vai naná!
O busão na Dutra. 44 poetas bordo. Sampa no retrovisor. Bay Bela Vista. Treze de Maio. Partida e retorno. Oxalá permita.
Naná ninguém vai naná amanheceu serra. Baixada fluminense. Baia da Guanabara. Mortas águas. Socorro!
GPS criticado. Sarro. Ramos na expectativa. SESC abrigo. Elegância no atendimento. Café da manhã. Reconhecimento local. Cacique. Imperatriz Leopoldinense. Um calor danado.
Suadouro. Piscina pra quem pode. Barraca da Célia cerveja várias.
Almoço farto. Naná ninguém vai naná. Vem a tarde. Morro do Alemão! O sarau pede licença pra chegar!
A ocupação. Nossas dúvidas. Povo. Soldados. Patrulhas. Quem chega trazendo versos estranhos? O pacífico teleférico na linha circula.
Temores. Igual desconfiança. Mesma alvenaria. Tijolo tijolo. Massa mole. Dura realidade migra e acrescenta quartos até onde alcança a vista.
Pro excedente muita gente se obriga ir. Lá é comunidade. Aqui é periferia.
Naná ninguém vai naná! Rio de Janeiro! O bonde dos poetas trafega conhecidas novidades. Morro Santa Tereza. Arborizada Oriente. Tá ficando quente! Chegamos à escadaria.
Declive acentuado. Degraus armados. Tá ficando quente! 
O boxixo. Atmosfera. Disformes construções cercados. A broooonca!
- Pezão aqui não pode fotografar. Aqui nóis é largatixa.
Impressiona. Não é tv. Vê? Mesma pobreza. Mesmas biroscas. Mesma desigualdade.
Imagens permitidas. Os poetas pedem licença pra chegar!
Num beco de poucas saídas, os trovadores traficam poesia. Tambores em brasa. A estranheza. Quem são esses?
Olho no olho. Atitude. Do fundão do meu coração... fica com o boné, parceiro! Bolo compartilhado. Salsicha empanada.
Tem banheiro? Não! Um sorvete, por favor. Gelado? O fuzil sobre o joelho do menino do Rio mira longo alcance.
Olhares revólveres. A banca. Cabreiragem. Ladeira não permite fallete nada. Respirar devagar. Medir passos. Um a um. Avançar e subir longos íngremes minutos.
Naná ninguém vai naná. Alívio. O buso recorta e estreita direção ao Morro dos Agudos. Nova Iguaçu. Grande Rio. Uma hora distante.
Nos achamos no Enraizados. Ajeitado palco. Microfone. O versejar do rap é familiar. Declamar e pernoitar no espaço Preto Góes.
Ferve imaginação. O pavor virou fumaça. Churrasco. O Augusto rouco. Sem voz. Deus conserve assim amanhã de manhã.
Improvisado banho. Cada qual estendeu sua bruma. O chão. Cinco horas da matina ainda embala naná ninguém vai naná.
Abacaxis na feira domingueira. Nada nos diferencia. Rostos e sotaques. A padaria sob calor. Improvisamos água. Vodca. Assembléia. Do questionamento bebemos.
Sorve o divisor. Longe Cristo redentor. Ponte Rio Niterói liga. Todos são negros. Todos são brancos. Meio negros meio brancos. A praia é mais extensa, Ipanema!
Penso na tal garota. Mergulho na onda. Tombo. Quarenta graus. Um real a chuveirada: - Ô alemão! Você é muito gordo. Tua ducha é mais cara, cara!
Do mel ao Borel. Pão de Açúcar avisto. Ônibus ao pé planta. Kombis serpenteiam encostas. Rampa rompe princípios, precipícios...
No topo, a Chácara Cantinho do Céu. Olha o nome! Olha a paisagem. Que ares são esses? Altíssima visão geográfica. Iluminada. Toda maravilhosa. Agora entendo alcunha cidade.
Recepção. Calor humano. Galinhada esperta. Soberba laje. Degusto doce. Inveja dos bacanas abaixo olhando russas montanhas. O pacificador tem olhos. Olhos imobiliários.
Paulistano vil. Não viu porra nenhuma.
Seu Gabeira, seu Gabeira. Poeta. Declamador. Acolhedor. Na Igreja Velha nos recepcionou com o Sarau Rajada Poética...
... Não é essa guerra toda. A guerra é do governo. De seus interesses...
O barco é o mesmo. Pátio aglomerado. Convés. Poetas remam versos. Literatura não afasta. Une. Perifericamente falando.
Quase meia-noite. Crianças empinam pipa e jogam futebol no campinho iluminado. A liberdade está no asfalto?
Ao lado, quartel de três soldados garantem pacificação.
Uma voz interpela: ampliar cultura é trabalho de cada um. O incentivo começa em casa. Sem corrente nem mordaça.
Dança lindo rindo lágrimas em roda. Somos. É nóis! Poesia não é had-bull, mas dá asas!
Os escritores, Julio Ludemir, do Rio, e Alessandro Buzo, na ponte onde atravessamos.
Poesia na Brasa, Brasilândia. Elo da Corrente, Pirituba. Poetas do Tietê. Cidade Ademar, Vila Fundão. Suburbano Convicto, de São Miguel Paulista. O Sarau do Binho, de Campo Limpo.
E diante dos desafios,Cultura é o que se planta dá!
Sabemos,
Nanááááá ninguém vai nanáááááááá!
Agradecimentos ao Sesc. Movimento Enraizados. Secretário de Cultura de Nova Iguaçu. Ao Fernando, da Vila Fundão, pela ideia. Alessandro Buzo e Julio Ludemir por armarem o meio campo. Ao Mapa da Poesia/Poiesis por tornar possível a sessão do ônibus.
Partimos de São Paulo, Bixiga, na madrugada de 18/12. Os poetas declamaram em saraus no Morro do Alemão, Beco da Comunidade Fallet, Enraizados e Chácara Cantinho do Céu, no Boréu. Chegamos em Sampa na manhã do dia 21/12.
A todos os participantes e colaboradores no Rio de Janeiro, o nosso abraço.
Marco Pezão e Lids Ramos
Assinar:
Postagens (Atom)

